
Pouco visto fora dos seus domínios, o teatro feito em Brasília, nas suas mais variadas vertentes é cheio de criatividade e originalidade. A maioria dos espetáculos produzidos lá têm em comum um olhar contemporâneo sobre o uso do espaço, da visualidade e das possibilidades do jogo cênico, valorizando o ator em sua coletividade.
Em cartaz no SESC Copacabana está uma versão para "As preciosas rídiculas", texto de Molière dirigido por Miriam Virna, uma das mais jovens e talentosas diretores de lá.
A peça fala de 5 mocinhas do interior que se mudam para Paris e querem a todo custo fazer parte de corte, do mundo das "preciosas". Ao rejeitarem 2 broncos que lhes cortejaram, elas caem em uma cilada armada por eles para zombar de suas gafes. Um texto bem apropriado para fazermos uma relação com certos "mundinhos", como os fashionistas, sub-celebridades, novo-ricos e wannabes em geral.
A montagem em cartaz é dinâmica, aproveita bem o espaço em arena do teatro e resolve bem a estrutura clássica da peça ao incluir cenas com o próprio Molière, discursos sobre a arte do ator e ao deixar claro para o público que estamos diante de um jogo de cena. O figurino é muito bem resolvido e dá um resultado plástico bonito. Algumas piadas internas e o tom um pouco over, talvez gere um pequeno estranhamento pro carioca acostumado a comédias com um tom mais de crônica de relações, mas é uma diversão garantida.






