Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Molière na capa da Caras


Pouco visto fora dos seus domínios, o teatro feito em Brasília, nas suas mais variadas vertentes é cheio de criatividade e originalidade. A maioria dos espetáculos produzidos lá têm em comum um olhar contemporâneo sobre o uso do espaço, da visualidade e das possibilidades do jogo cênico, valorizando o ator em sua coletividade.
Em cartaz no SESC Copacabana está uma versão para "As preciosas rídiculas", texto de Molière dirigido por Miriam Virna, uma das mais jovens e talentosas diretores de lá.
A peça fala de 5 mocinhas do interior que se mudam para Paris e querem a todo custo fazer parte de corte, do mundo das "preciosas". Ao rejeitarem 2 broncos que lhes cortejaram, elas caem em uma cilada armada por eles para zombar de suas gafes. Um texto bem apropriado para fazermos uma relação com certos "mundinhos", como os fashionistas, sub-celebridades, novo-ricos e wannabes em geral.
A montagem em cartaz é dinâmica, aproveita bem o espaço em arena do teatro e resolve bem a estrutura clássica da peça ao incluir cenas com o próprio Molière, discursos sobre a arte do ator e ao deixar claro para o público que estamos diante de um jogo de cena. O figurino é muito bem resolvido e dá um resultado plástico bonito. Algumas piadas internas e o tom um pouco over, talvez gere um pequeno estranhamento pro carioca acostumado a comédias com um tom mais de crônica de relações, mas é uma diversão garantida.

"Bota a camisinha, meu amor/ que hoje está chovendo e não vai fazer calor"


Tenho 32 anos e o início da minha vida sexual já exigia o uso da camisinha. Quer dizer, sou de uma geração que não pode fazer a opção de usar ou não, é imperativo. Se fossemos 100% cuidadosos nunca teriamos transado sem e seu uso seria absolutamente natural, pois estava integrado no ato.
Por essa razão, não compreendo pessoas da minha geração que tem resistência ao uso ou preferem transar sem preservativo (quer dizer, até entendo algumas razões psicológicas mas acho uma burrice).
Tudo isso pra dizer que,além de qualquer obrigação, eu adoro usar camisinha. Acho um verdadeiro complemente erótico (além de uma forma eficiente de se prevenir acidentes).
Se eu entro em farmácia com poucas opções, não compro ali.
Tem modelos texturizados, aromáticos, retardantes, quentes, frias... É um verdadeiro parque de sensações.
Acho que as campanhas pró-preservativos seriam muito mais eficientes se perdessem o peso de responsabilidade e as tintas fúnebres e exaltasse que usar camisinha pode ser um ótimo complemento para o aumento do prazer sexual. Com o perdão do trocadilho infame: usar camisinha pode ser bom pra caralho!!!

Porto Maravilha


Eu acho o centro do Rio absolutamente lindo, ainda que muito depredado. Por isso sou um grande entusiasta do projeto de revitalização da zona portuária, chamado de "Porto Maravilha", lançado essa semana pelo governo. A proposta é linda e vão resgatar o charme e a força cultural daquela região. Ao invés de crescer em direção ao Oeste, sempre achei que o Rio deveria dar nova cara ao centro. Acho que a transferência do IED para o Armazém 7 é bem apropriada e foi um alivio para os moradores da Urca. Não acredito que as obras durarão apenas os 2 anos prometidos e espero de verdade que não se repita a vergonha da Cidade da Música.
Sobre uma leitora que mandou uma carta hoje para o jornal O Globo dizendo que "esse dinheiro deveria ser usado em sáude" eu respondo: o dinheiro da saúde deveria ser bem aplicado e investir em cultura, história, urbanismo e qualidade de vida é, também, uma forma de se investir em sáude. De todos os sentidos.

"Toda mulher só deveria amar meninos de 17 anos"


Vestido de Noiva é um clássico do teatro brasileiro. Escrita por Nelson Rodrigues em 1942 é considerada pela tradição crítica como o marco inicial do teatro moderno brasileiro. Muito antes dos roteiros fragmentados de Charlie Kaufmann, Nelson escreveu uma peça sobre Alaíde que sofre um acidente no começo da peça e sua história é contada em três planos: memória, alucinação e realidade. O espetáculo vem sendo montado regularmente desde então. Está em cartaz em São Paulo uma versão dirigida por Gabriel Vilela ( a terceira montagem que assisti, fora o filme do Jofre Rodrigues e um teleteatro dirigido pelo Antunes Filho).
Na montagem de Vilella os planos são fundidos com tintas expressionistas, valorizando a alucinação e o onírico, elementos apoiados pela cenografia e figurinos barrocos, quase kitsch de J. Serroni e do próprio diretor.
Nessa linha o trio de atrizes principais (Leandra Leal, Vera Zimmerman e Luciana Carnioli) se saem melhor, conseguindo um equilíbrio entre uma atuação não-realista e um tom cotidiano que, algumas vezes, valoriza a força das frases rodrigueanas. A opção por apenas no plano alucinatório faz com que algumas cenas percam a força que teriam no embate dramático entre as nuances dos planos.
O elenco masculino leva a pior com uma atuação afetada que fica sempre num tom burlesco e elimina toda força sexual necessária para as personagens. O excesso de interferências musicais atrapalha um pouco o andamento do espetáculo e se Carnioli tem uma bela voz, Marcelo Antony deveria ter se poupado.
Apesar de algumas ressalvas, é um belo espetáculo para ser visto, além de uma bela oportunidade de conhecer o “Teatro Vivo” em SP e sua impactante luminária-instalação da entrada do prédio.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Milk me.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Dizem que sou louco....


Chris Vance é um charme. E é nesse charme que está baseado a nova série da Fox, "Mental", que estreou na semana passada. Na série, Vance é um psiquiatra que conduz de maneira bem heterodoxa os tratamentos em um hospital. Mais uma série de temas médicos e aqui é impossível não se lembrar de "House". Se "Nip/Tuck" sobreviveu a 5 temporadas com uma mistura de vaidade, dramas pessoais, cirurgia plástica, muito sexo e uma certa bizarrice e Dr. House tem um humor caústico e irônico; Dr. Gallagher tem muito menos, se a série não começar a explorar os dramas fora do hospital ela não vai durar muito. Por enquanto, estamos no segundo episódio; nada de novo, mas tem o seu charme. Ficadica.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

A "intelligentsia" vai à compras


Já estou acostumado a ver pelas calçadas da cidade camelôs vendendo filmes piratas. Desde o mais novo lançamento que ainda nem saiu no cinema, até títulos improváveis como "Tropa de Elite 2" ou o "Homem-aranha 4", que os produtores ainda nem pensaram em realizar. Tudo a 3 por R$ 10,00.
Porém, confesso que fiquei espantando quando ao sair de uma sessão do Unibanco Arteplex em Botafogo, me deparei com uma barraquinha, onde 2 garotos "com cara de universitários" vendiam o melhor do "cinema de arte" pelo precinho camarada de R$ 15,00. Tudo muito bem produzido, consumido pelo povo que adora um "cinema cabeção". Podiamos escolher entre Godard, Visconti, além de filmografias obscuras dos mais remotos países europeus; para o deleite dos cinéfilos. Eu como viciado em download, não me animei muito, pois em 2 cliques poderia ter todos aqueles títulos ( confesso que por vício e impulso, já tenho em casa "Los Abrazos Rotos", o novo do Almodovar, mas vou esperar pra ver no cinema). Continuo achando o os sites de download são ótimos pra se poder ter acesso a coisas raras, curiosidades, ou pra aquela série que a TV a cabo nem ainda agendou a estréia e eu já estou no fim da temporada; mas fazer uma banquinha em frente a um cinema já é cara-de-pau demais. De quem vende e de quem compra.

Sábado, 23 de Maio de 2009

Nós, os vivos?


A vida não é feita de grandes feitos ou emoções arrebatadoras todo o tempo, isso é coisa de drama americano. Na maior parte do tempo, levamos um cotidiano enfadonho, de pequenas ações corriqueiras. Cheias de metafísica e epifanias, ou enormes vazios.
Talvez seja essa uma boa forma de falar sobre "Vocês, os vivos", filme sueco que acabei de ver no Unibanco Arteplex. Formado por pequenas esquetes filmadas em enquadramentos parados, as cenas,algumas curtissimas; pequenas gags , mas parecem adaptadas de uma peça do Beckett. Belo, lírico, caústico, irônico e acima de tudo uma grande bincadeira de estilo. Ou como dizia uma senhora do meu lado estupefata: "um humor muito sueco, muito sueco". Seja lá o que isso queira dizer.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

A tumba da música


O imperador Caesar Maia mesmo já fora do palácio da Cidade Nova, não consegue sair dos noticiários.Á época da inauguração (para fins eleitoreiros) da Cidade da Música, alguns artigos defendiam a obra faraônica, como sendo visonária e polêmica pelo seu aspecto inovador. Futurólogos já previam que em alguns séculos aquilo seria uma obra da humanidade.
Agora, porém, vemos o óbvio ululante: uma obra superfaturada, cheio de irregularidades arquitetônicas e com talento pra se tornar uns dos grandes micos da cidade.
A idéia do projeto é perfeita, mas as razões de sua execução são nefastas. Se a idéia fosse realmente a popularização dos concertos de música clássica, teriam sidos construídos, ou reformados, pequenas salas em todas as regiões do município, com criação de outras orquestras públicas que atendessem essas comunidades. Isso é descentralização da cultura. Isso é eficaz, o resto é populismo.´
O futuro parece selado: o prédio vai acaber sendo entregue a alguma multinacional que vai batizá-lo com o nome do seu produto e apresentar concertos de música a ingressos exorbitantes. É um triste fim, mas parece ser o único que poderá salvar a obra vergonhosa que está encravada na Barrra.

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Pés-sujos


A informalidade e o jeitão descolado do carioca produz um fenômeno que só existe por aqui (eu acho...): o fascinio pelo pé-sujo. Não que o carioca não preze lugares descolados, mas existe uma ligação afetiva inexplicáveis com certos cafofos. Ok, a baixa gastronomia pode ser uma delícia, mas nada que justifique a idolatria pela Rio Lisboa (uma padaria como outra qualquer no Leblon) ou o boteco árabe que tem no Largo do Machado. Ontem eu estava pelas redondezas com um grupo grande e sugeri que fossemos almoçar lá. Em pouco tempo, o resto do grupo apareceu, era um lugar óbvio, quase mítico. A comida é bacana, mas nada que justifique a confusão de gente no balcão e os elogios quase orgásmicos dos nascidos por aqui. Talvez seja coisas assim que façam os cariocas um povo charmoso. Vai saber....
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