quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A la orden!




Sobre Cartagena de Índias eu sabia duas coisas: era a cidade do Gabriel Garcia Marquez e tinha um Festival de Cinema famoso. E foi assim, na intuição, com um pouco de pesquisa e conversa com amigos que desembarquei por lá, depois de conexões intermináveis em São Paulo e Bogotá. A cidade não é grande e o que realmente interessa ao turista é o centro histórico dentro das muralhas construídas para proteger a cidade no séc. XVI. Então, é um destino perfeito para uma viagem de 3 dias. O centro histórico é o lugar para se hospedar e conta com várias opções de hotéis, tão charmosos quanto caros, localizados em antigas casas coloniais. Uma outra opção é ficar no bairro Getsemani (onde eu me hospedei), que fica em frente à entrada principal da muralha, a menos de 5 minutos a pé e ainda preserva a arquitetura e a bossa intramuros, ainda que um pouco decadente. Os outros bairros são feios e Bocagrande, onde fica a maioria das opções de hospedagem das grandes redes internacionais, é um Barra da Tijuca piorada com uma praia de areias barrentas, onde não se consegue caminhar sem ter alguém te seguindo oferecendo de tudo, de tudo mesmo. Bocagrande só vale pra uma foto do seu skyline de arranha-céus brancos e espelhados, quando se estiver de um barco na baía. A cidade é muito quente e sempre venta no fim da tarde. Pela entrada principal, a Torre del Reloj pode-se começar a caminhar meio sem rumo pelas ruas e encontrar os museus, igrejas e praças a se visitar. A arquitetura e as esculturas espalhadas pela cidade são mais interessantes que o acervo dos museus. A cidade é o seu melhor museu. Um destaque é o Museo del Oro; pequeno, mas muito interessante e bem cuidado por um banco. Fora dos muros, não deixe de ir ao Forte San Felipe, uma das vistas espetaculares da cidade. A Colômbia é conhecida por suas esmeraldas, mas ao menos que você queria realmente comprar uma; não dê ouvidos às pessoas te convidando na rua pra conhecer o "museu" da esmeralda. São na verdade lojas que querem atrair o cliente. São várias.
Pelas ruas, você vai cruzar com as palanqueras: senhoras com vestidos coloridos e bandejas de frutas na cabeça que são uma atração turística. Aliás, as frutas são uma tentação por lá, se pode comprar e comer em qualquer esquina, manga, melancia, além das inúmeras frutas locais que são maravilhosas e são encontradas em forma de sorvete artesanal na imperdível Heladeria Paraiso.
Os melhores restaurantes estão em volta das praças San Domingo e San Diego, sendo que nessa última os preços são mais altos, talvez pela proximidade ao Hotel Sofitel Santa Clara que fica num antigo mosteiro.
Apesar de ser pequena, achar um endereço na cidade murada requer um bom senso de direção, porque a cada quadra a rua muda de nome. Na Calle de Ayos se encontra várias ótimas opções para comer. O melhor lugar que comi por lá, foi o Candé, um restaurante que eleva a comida autóctone a alta gastronomia. Ali se come lagosta, mariscos, camarões e peixes variados acompanhados de pratos que levam toda a tradição culinária cartagena como arroz de coco, patacón (um plátano, ou banana verde grelhada na chapa: um vício), frutas, aipim, inhame, milho, etc.
Os táxis são muito baratos, mas você não vai precisar muito deles, a não ser que tenha que ficar em Bocagrande. Não há taxímetros, então tem que se perguntar antes o preço. Uma corrida do aeroporto ao centro (a mais cara que paguei) custou 10.000 pesos.
Apesar de 1 real comprar 1.150 pesos colombianos (oficialmente), Cartagena não é uma cidade barata, então tire 3 zeros e vai gastar tanto quanto em qualquer grande cidade brasileira. Por mais que possa se virar com dólares, é bom ter pesos, então o câmbio deve ser feito no aeroporto de Bogotá, porque em Cartagena nem toda casa aceita real e as taxas de conversão são abusivas. Troquei em Bogotá por 970 e quando precisei em Cartagena achei lugares oferecendo 500. Se precisar trocar por lá, o melhor câmbio está na calle Uribe por 850.
Cartagena fica em uma baía, então os passeios saem do muelle La Bodeguita em direção às ilhas do Rosário. Podem ser feitos de catamarã ou lancha rápida. Eu fiz 2 e recomendo: o primeiro a uma das ilhas e de lá saí para um mergulho de snokerl que foi uma das coisas mais lindas que fiz na vida e o outro para Playa Blanca, na ilha de Barú. O mar de Cartagena, depois que se sai da baia pelo forte de Bocachica, é daquela infinidade de azuis e corais do mar do Caribe que te faz esquecer qualquer coisa de ruim na vida. Vá de lancha rápida e como o mar começa a ficar virado no fim da tarde, todas elas voltam às 3h, o que dá tempo pra mais um recorrido pela cidade e tomar um mojito vendo o por do sol de cima da muralha.
A cidade é ostensivamente policiada, que dá aos turistas uma segurança enorme de caminhar pelas ruas com suas câmeras potentes no pescoço, mesmo a noite.
O povo é de uma educação e amabilidade tamanha que tem muito a ensinar para outras cidades turísticas e mesmo os vendedores que te seguem na rua vendendo coisas sabem recuar depois de um não. A expressão a la orden! é quase automática de tão recorrente, então não economize no gracias. Falando em compras, a cidade te transporta para um outro tempo de maneira tão mágica que é irresistível, TODOS os turistas compram um chapéu panamá e ficam desfilando com ele pela cidade. Eu trouxe o meu, só não sei agora onde vou usar. Não sai a noite, mas a cidade de boas opções de casas de salsa e rumba, então se você tiver fôlego dá pra se acabar.
Então a la rumba!

1 comentários:

Anônimo disse...

parabens, seu postr ficou otimo ( sabe algo sobre a vida/noite gay de lá?) abraço